Marília,
Em nome da Arte-CGJ (Central Globo de Jornalismo) que é responsável pelo projeto do cenário do Esporte Espetacular, esclareço que: Você está coberta de razão quanto à lógica da pista. As raias de dentro (por terem raio menor) devem largar mais atrás. Contudo, por uma questão de espaço e de perspectiva, não seria possível reproduzir o desenho real da pista (com oito raias), nem enquadrar as marcações da pista se estas não estivessem alteradas.
Na cenografia, às vezes somos obrigados a abusar da licença poética para resolver problemas técnicos, mas acreditamos que o objetivo principal de passar a idéia da pista de atletismo foi alcançado. Para nós é muito importante saber que pessoas como você percebem detalhes como este, que na primeira oportunidade será estudado novamente, e se possível corrigido. Ficamos muito felizes de ter recebido a sua mensagem e agradecidos pela sua preocupação.
Rodolpho Xavier
Arte-CGJ
Aqui quem escreve mais uma vez é Monika Leitão. Já estamos de volta ao Brasil e começando a preparar a matéria que vai ao ar no próximo domingo, contando tudo sobre a Homeless World Cup 2006.
Dois países da antiga União Soviética, Rússia e Cazaquistão, disputaram a grande final e os vencedores foram os russos. Eufórico, o capitão do time, em que quase todos são ex-usuários de drogas, disse que levar a taça pra Rússia era o maior sonho da vida dele. A Polônia ficou em terceiro lugar e o México em quarto.
O bispo anglicano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984, Desmond Tutu, foi prestigiar a Copa dos Excluídos e, quando pisou no campo, fez a torcida ir à loucura! Ele é adorado e muito respeitado pelos sul-africanos. O líder negro que se dedica à luta pela justiça e contra o apartheid (regime de segregação racial) disse que ter uma casa não é privilégio e sim o direito de todos. Pedimos para ele uma mensagem para os sem-teto do Brasil e ele disse que todos precisam lutar para melhorar de vida!
Para a equipe brasileira, ficar em 16º lugar, entre os 48 países participantes foi uma vitória da raça, da garra de um time que jogou toda a fase final desfalcado de seu maior craque. Wellington chegou a ser convidado para fazer testes em uma equipe da segunda divisão de lá. A maior conquista, entretanto, foi a transformação dos nossos jogadores. A insegurança e a timidez do início da viagem à África, deram lugar à auto-confiança e ao orgulho de terem sido, por alguns dias, os representantes do país numa competição mundial de futebol.
Abaixo, mais fotos do evento.

A arena montada para a competição. Esta foto nos foi cedida pela organização da Copa.

Os russos, grandes campeões.

A alegria da única mulher da equipe brasileira.
Você vai acompanhar as emoções da nossa viagem à Cidade do Cabo no próximo domingo! Até lá!
Aqui mais uma vez Monika Leitão. Estamos na reta final da Copa de Futebol de Rua. Já deu tempo para muita gente se conhecer e fazer amizades! Jogadores de diversos países, com línguas e costumes diferentes trocam idéias e fazem mímica para se comunicar. É muito legal! A equipe do Brasil chegou às quartas-de-final entre os 16 primeiros colocados, mas ficou desfalcada. Como são apenas 3 titulares jogando na linha e um no gol, faz a maior diferença. O Wellington torceu o tornozelo direito. Agora, de muletas, ele só torce e paquera as meninas, é claro!
As seleções que lutaram pelo troféu principal do campeonato (Homeless World Cup) foram: Rússia, Libéria, Nigéria, Polônia, Dinamarca, México, Cazaquistão e Camarões. Mas aqui o objetivo é a inclusão, por isso todos jogam até o fim da Copa. São 6 troféus em jogo!
Depois de passar a semana cobrindo uma maratona de 9 horas de futebol por dia, fomos conhecer as famosas praias da Cidade do Cabo. Clifton Bay e Camps Bay são deslumbrantes! Nos sentimos no Brasil, he,he,he... E à noite, fomos provar as carnes daqui: avestruz, crocodilo e antílope. Delícias.
E abaixo você confere mais fotos!

Alvinho dá um tempo na gravação para curtir o visual na Table Mountain.

Jogadores brasileiros e a Table Mountain.

Marina, Alvinho e eu também somos filhos de Deus! Depois de 11 horas de trabalho, nós saímos para jantar no famoso Mama África.

Lindas praias em Camps Bay, Cidade do Cabo.
Azaração entre Wellington (21 anos), o craque do Brasil contundido e a jogadora paraguaia (17 anos)!
Eu, Monika Leitão, de volta. Conseguimos nesta quarta-feira um tempinho, no intervalo dos jogos, para conhecer a "Table Mountain”, o cartão postal da Cidade do Cabo. A montanha tem o formato de uma mesa e, para chegar ao topo, a gente vai de bondinho. Como o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.
A seleção brasileira foi junto com a nossa equipe. Os jogadores ficaram deslumbrados com a beleza e a vista lá de cima. Eles tiraram muitas fotos pra mostrar aos amigos na volta ao Brasil e alegria tinha um motivo extra. Eles passaram fácil pela primeira fase da competição. Ainda estamos na briga pelo título da Copa do Mundo e entre os 12 melhores times de futebol de rua.
Na torcida da seleção quase não tem brasileiro, mas tem muito jogador de outros paises que vibra quando a camisa verde e amarela está em campo. Namatullhe Abolfazly é um deles. Mesmo quando o time do Brasil está perdendo, o goleiro do Afeganistão incentiva. Essa é a primeira vez que uma equipe afegã de futebol participa de uma competição internacional. Namatullhe é um dos muitos meninos afegãos que sofreram com a guerra e com o regime Talibã. A casa dele foi bombardeada e pegou fogo. A família fugiu para o Paquistão e ele ainda tem no rosto as marcas das queimaduras. O sonho de Namatullhe e dos outros jogadores do Afeganistão é disputar uma partida contra o Brasil.
Os brasileiros da seleção canarinho não são os únicos que fazem sucesso por aqui. Na equipe italiana, os três craques do time são brasileiros. Eles moram na Itália e foram selecionados pela Ong que ajuda todos os imigrantes do país. Essa é uma competição entre pessoas que tem dificuldades na vida, mas que sabem aproveitar e muito os momentos felizes. Basta ouvir um ritmo animado que logo se empolgam.

Equipe unida!

Marina entrevista o jogador afegão Namatullhe com Table Mountain ao fundo.

Os "brasilianos"!

Brasileiros entram no ritmo africano do "djembe".
Amanhã começa a fase decisiva da Copa. E vocês vão acompanhar tudo com a gente aqui no site do Esporte Espetacular!
Até lá!
Oi, pessoal,
Aqui quem escreve é a produtora Monika Leitão. Estamos na Cidade do Cabo e a Copa do Mundo de Futebol de Rua começou. Eu, a repórter Marina Araújo e o repórter cinematográfico Alvinho já estamos trabalhando bastante. A cerimônia de abertura foi linda. O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, agradeceu a presença dos 48 países participantes e desejou boa sorte aos jogadores. As delegações desfilaram pelas ruas da cidade. No rosto de cada jogador estava estampado o orgulho de estar representando seu país. A seleção brasileira foi a equipe mais esperada.
Por todos os lados a mesma pergunta: e os brasileiros? Eles chegaram hoje. E, apesar do cansaço da viagem de 10 horas, tem 3 partidas pela frente. A primeira é contra a África do Sul, a anfitriã do evento. Depois vem o Chile. E a última será contra a Hungria.
Em cada canto, a gente descobre uma história de vida impressionante como a de Emmanuel, de 16 anos. Ele é africano, de Serra Leoa, mas viveu em um campo de refugiados em Gana. Ele e a família foram levados pela ONU para viver na Austrália. Ele está na Cidade do Cabo defendendo a bandeira australiana, mas contou pra gente que encontrou amigos africanos e só pensa em voltar à terra natal para ajudar seu povo!
Vamos para as fotos!

Seleção do Brasil com Emmanuel, de Serra Leoa.

Este é o Emmanuel.

Marina e Alvinho com Joao Barnabé, técnico de Portugal (ele descobriu Luis Figo,
Cristiano Ronaldo e promete que tem um craque na seleção dele de futebol de rua).

Animação da torcida da Dinamarca.
Você acompanha este evento que une esporte e inclusão social aqui no site do Esporte Espetacular! A reportagem a gente está preparando para você ver na nossa volta!
Até amanhã!

